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Olá, senhoras e senhores!
Para variar, sumi de novo. O Natal já passou faz tempo, o Ano Novo também, recebi um monte de respostas dos meus "e-votos de felicidades" e nem sequer me dignei a responder de volta (coisa que eu sempre faço até o outro lado cansar) por absoluta falta de... sei lá do quê, mas não foi de tempo. Sorry, folks. Mas também não foi sem motivo; casa, trabalho, uma viagem às origens... tudo colaborou para andar longe daqui.
Começando pelo começo: as origens. Fui a Portugal e, lugares comuns à parte, me sinto mais brasileiro. Andar por Lisboa é como andar pelo Rio. Uns vinte anos atrás, claro, quando ainda se podia caminhar pelo centro da cidade sem medo. E acreditem, houve um tempo assim. Cresci jogando futebol na rua (é, eu também joguei futebol, fui um bom goleiro) com apenas um pé de kichute vestido de cada vez para economizar a sola, comendo manga, coco e goiaba do pé, indo catar girinos nos terrenos baldios do bairro. Quando as pessoas ainda colocavam suas cadeiras na calçada no fim das tardes de verão para aproveitar a fresca.
Isso não é saudosismo, isso é Portugal. Caldo verde de entrada, sardinha com batatas, vinho honesto a um euro. Pastéis de nata. Não chamem de pastéis de belém fora de Belém, que eles se ofendem. Gente caminhando tranqüila, muitos turistas, pouco alarde, por incrível que isso possa parecer, mesmo no Bairro Alto, onde há mais bares por metro de calçada propriamente calçada. Um cheiro que não se sabe se é de rio ou de mar. Como se a baía de Guanabara fosse limpa. Sei que são imagens muito subjetivas, mas em alguns de vocês isso talvez provoque uma sensação parecida à que eu experimentei.
Foi bacana, na falta de uma palavra mais apropriada. Se bem que dizer isso também respeita o espírito carioca que se assoma desde o começo. Bem bacana.
O que mais? Bom, nas últimas semanas creio ter aberto mais alguns caminhos por aqui – ainda que eu não faça idéia nenhuma de para onde eles vão me levar. Seja como for, estou feliz. Não que tenham sido dias livres de percalços (adoro essa palavra) e que eu esteja livre de dúvidas com relação à minha decisão de ficar. E lá se vão quase cinco meses desde que não saí de casa para ir a Barajas no dia em que havia um lugar reservado – e pago – para mim em um avião da TAP. Não me arrependi até agora, acho que não corro risco de que isso aconteça a curto prazo.
A novidade é que fui escolhido para publicar em uma revista daqui como um dos "novos talentos" da fotografia local. O único documentalista em meio a um monte de artistas, que no fim das contas são os que vendem alguma coisa, já que na Europa a fotografia invadiu museus e galerias com uma fome acumulada de mais de 100 anos. E não falo de pesos pesados, clássicos, mas sim de gente nova. Conheço uns quantos que estão expondo, vendendo quadros e, se ainda não vivem disso, já começam a ver a cor do dinheiro graças ao seu trabalho. Não é a minha, lo siento, por isso continuo com minhas reportagens.
E olha que as fotos escolhidas foram de uma série antiga, que eu não estou levando pra frente por falta de tempo. São imagens de cenas de metrôs das cidades do mundo que eu já visitei. Não são muitas, mas já é o suficiente para poder fazer uma seleção interessante. E aí estão elas, bem impressas em papel couché. Chega a ser difícil descrever a sensação de abrir a revista e vê-las ali. Tanto que das primeiras vezes nem notei que tinha uma a mais, bem no começo da publicação... Se ter um filho é assim, volto a querer quatro, como antes!
Já é hora. Como diria o professor Astromar, "faz-se tarde".
Pros mano, pou, pras mina, pá.
Suerte en la vida. O resto a gente dá um jeito.
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